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terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Urgência da Pregação



Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.


A pregação atravessa tempos difíceis? Hoje está sendo travado um debate sobre o caráter e a centralidade da pregação na igreja. O que está em jogo é a integridade da adoração e da proclamação cristã.
Como isso chegou a acontecer? Levando em conta a centralidade da pregação na igreja do Novo Testamento, parece que a prioridade da pregação bíblica jamais deveria ser contestada. Afinal de contas, como observou John A. Broadus — um dos docentes fundadores do Seminário Batista do Sul dos Estados Unidos —, “a pregação é característica peculiar do cristianismo. Nenhuma outra religião tem realizado reuniões freqüentes e regulares de grupos pessoas para ouvirem instrução e exortações religiosas, uma parte integral do culto cristão”.
No entanto, muitas vozes influentes no evangelicalismo sugerem que a época do sermão expositivo já passou. Em seu lugar, alguns pregadores contemporâneos colocaram mensagens idealizadas intencionalmente para alcançar congregações seculares ou superficiais — mensagens que evitam a exposição do texto bíblico e, por implicação, um confronto potencialmente embaraçoso com a verdade bíblica.
Uma mudança sutil no início do século XX se tornou uma grande divisão no final do século. A mudança de pregação expositiva para abordagens mais temáticas e centradas no homem desenvolveu-se a ponto de se tornar um debate sobre o lugar das Escrituras na pregação e a própria natureza da pregação.
Duas afirmações famosas sobre a pregação ilustram essa divisão crescente. Refletindo, de maneira poética, a urgência e a centralidade da pregação, o pastor puritano Richard Baxter fez esta observação: “Prego como se jamais tivesse de pregar novamente, prego como um moribundo a pessoas moribundas”. Com expressão vívida e um senso de seriedade do evangelho, Baxter entendeu que a pregação é, literalmente, uma questão de vida ou morte. A eternidade pende na balança à medida que o pastor prega.
Contraste essa afirmação de Baxter com as palavras de Harry Emerson Fosdick, talvez o mais famoso (ou mal-afamado) pregador das primeiras décadas do século XX. Fosdick, que era pastor da Riverside Church, em Nova Iorque, provê um contraste instrutivo com o respeitado Baxter. Fosdick explicou: “Pregar é aconselhamento pessoal com base em grupos”.
Essas duas afirmações a respeito da pregação revelam os contorno do debate contemporâneo. Para Baxter, a promessa do céu e os horrores do inferno moldam a desgastante responsabilidade do pregador. Para Fosdick, o pregador é um conselheiro amável que oferece conselhos e encorajamento proveitosos.
O debate atual sobre a pregação é mais comumente explicado como uma argumento a respeito do foco e do formato do sermão. O pregador deve pregar um texto bíblico por meio de um sermão expositivo? Ou deve focalizar o sermão nas “necessidades sentidas” e nos interesses percebidos dos ouvintes?
É claro que muitos evangélicos contemporâneos favorecem a segunda opção. Instados pelos devotos da “pregação baseada nas necessidades”, muitos evangélicos abandonam o texto sem reconhecer que fazem isso. Esses pregadores podem ocasionalmente recorrer ao texto no decorrer do sermão, mas o texto não estabelece os assuntos nem a forma da mensagem.
Focalizar-se nas “necessidades percebidas” e permitir que elas estabeleçam os assuntos da pregação conduz inevitavelmente à perda da autoridade bíblica e do conteúdo bíblico no sermão. Contudo, esse modelo está se tornando, cada vez mais, a norma em muitos púlpitos evangélicos. Fosdick deve estar sorrindo no túmulo.
Os evangélicos antigos reconheceram a abordagem de Fosdick como uma rejeição da pregação bíblica. Um teólogo liberal confesso, Fosdick exibiu sua rejeição da inspiração, inerrância e infalibilidade das Escrituras — e rejeitou outras doutrinas centrais da fé cristã. Apaixonado pelas tendências da teoria psicológica, Fosdick se tornou um terapeuta de púlpito do protestantismo liberal. O alvo de sua pregação foi bem captado pelo título de um de seus muitos livros — On Being a Real Person (Ser uma Verdadeira Pessoa).
Infelizmente, essa é a abordagem evidente em muitos púlpitos evangélicos. O púlpito sagrado se tornou um centro de aconselhamento, e os bancos da igreja, o sofá do terapeuta. A psicologia e os interesses práticos substituíram a exegese teológica; e o pregador direciona seu sermão às necessidades percebidas da congregação.
O problema é que o pecador não sabe qual é a sua mais urgente necessidade. Ele está cego quanto à sua necessidade de redenção e reconciliação com Deus e se focaliza em necessidades potencialmente reais e temporais, tais como realização pessoal, segurança financeira, paz na família e avanço profissional. Muitos sermões são elaborados para atender a essas necessidades e interesses, mas falham em proclamar a Palavra da Verdade.
Sem dúvida, poucos pregadores que seguem essa tendência intentam se afastar da Bíblia. Todavia, servindo-se de uma intenção aparente de alcançar homens e mulheres modernos e seculares “onde eles estão”, o sermão tem sido transformado em um seminário sobre o sucesso. Alguns versículos das Escrituras talvez sejam acrescentados ao corpo da mensagem; mas, para que um sermão seja genuinamente bíblico, o texto precisa estabelecer os assuntos como fundamento da mensagem — e não ser usado apenas como uma autoridade citada para fornecer esclarecimento espiritual.
Charles Spurgeon confrontou esse mesmo padrão de púlpitos vacilantes, em seus próprios dias. Alguns das mais agradáveis e mais freqüentadas igrejas de Londres tinham ministros que foram precursores dos pregadores modernos que se baseiam nas necessidades sentidas. Spurgeon — que se esforçou por atrair ouvintes, apesar de sua insistência na pregação bíblica — confessou: “O verdadeiro embaixador de Cristo sente que ele mesmo está diante de Deus e tem de lidar com as almas como servo de Deus, em lugar dele, e que ocupa uma posição solene — nesta posição, a infidelidade é desumanidade e traição para com Deus”.
Spurgeon e Baxter entendiam o perigoso mandato do pregador e, por isso, foram impelidos à Bíblia para usá-la como sua única autoridade e mensagem. Deixavam seus púlpitos tremendo, sentindo interesse urgente pela alma de seus ouvintes e totalmente cônscios de que tinham de prestar contas a Deus pela pregação de sua Palavra, tão-somente de sua Palavra. Os sermões deles foram medidos por poder, os de Fosdick, por popularidade.
O debate atual sobre a pregação pode abalar congregações, denominações e o movimento evangélico. Mas reconheça isto: a restauração e renovação da igreja nesta geração virá somente quando, em cada púlpito, o ministro pregar com a certeza de que jamais pregará novamente e como um moribundo que prega a pessoas moribundas.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright:© R. Albert Mohler Jr.
Traduzido do original em inglês:
The Urgency of Preaching.http://www.albertmohler.com/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O DESAFIO DA PREGAÇÃO NA PÓS-MODERNIDADE (Parte 3)

A perda de uma fundamentação Bíblica

Lamentavelmente podemos perceber em nossos dias uma crescente tendência no meio evangélico em querer focalizar no púlpito aquilo que é relevante, conseqüência, é claro, de uma não leitura das Sagradas Escrituras. Muitas das pregações que ouvimos hoje dão mais importância a psicologia, que desde a década de oitenta vem entrando na igreja como o novo paradigma de santificação; ao comentário social e a retórica política. A pregação da palavra de Deus fica em segundo plano, porque segundo eles a psicologia, por exemplo, é necessária para ajudar as pessoas com seus problemas e a crescerem espiritualmente. Mas tais pessoas esquecem que o Espírito Santo não precisou da psicologia no passado, e também não precisa hoje no presente. Isso porque o Espírito Santo foi e é capaz de cumprir a obra de Deus antes que Sigmund Freud, que foi um ateísta, ter inventado a psicologia. O único paradigma para a santificação é a palavra de Deus, como a mesma diz: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.”(1 Coríntios 1:21).

Não se pode negar que a perda de uma fundamentação bíblica é não somente o motivo primário do declínio da pregação na igreja contemporânea, como também o principal fator que contribui para a debilidade e mundanismo na igreja, e isto pelo fator que, para a igreja contemporânea, a pregação da palavra não é relevante. Creio que MacArthur foi muito feliz, quando no seu livro redescobrindo o ministério pastoral, citou Jay E. Adams, que fala sobre o assunto como segue:

“O problema de tal abordagem na pregação é que os pregadores de hoje não têm autoridade para pregar suas próprias noções e opiniões; eles devem ‘pregar a palavra’ apostólica registrada nas Escrituras. Sempre que os pregadores se afastam do propósito do trecho bíblico, perdem sua autoridade para pregar. Em suma, o propósito de ler, explicar e aplicar um trecho das Escrituras é obedecer à ordem de ‘pregar a palavra’. De nenhuma outra maneira podemos esperar vivenciar a presença e o poder do Espírito Santo em nossa pregação. Ele não gastou milhares de anos produzindo o Antigo e o Novo Testamento (em certo sentido, a Bíblia é peculiarmente Seu livro) para depois ignorá-lo! Aquilo que Ele ‘inspirou’ os homens a escrever, agora nos motiva a pregar. Ele não prometeu abençoar nossas palavras; tal promessa estende-se apenas à Sua própria palavra (Is. 55:10-11 ‘Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.’) Uma vez que... não há pregação genuína onde o Espírito de Deus não esteja atuando, podemos dizer que o propósito fundamental da pregação baseada na Bíblia é simplesmente que, em qualquer sentido genuíno da palavra, possamos pregá-la!”

Acredito que os lideres, das assim chamadas igrejas contemporâneas, deveriam olhar para a história da igreja, principalmente nos Atos dos Apóstolos, e notar que no período apostólico, a ênfase e fundamentação que eles davam a pregação era a pregação da Palavra. Apesar de ter na igreja primitiva muitos problemas como: perseguições externas, necessidades dos santos no que diz respeito ao alimento aos necessitados e viúvas e etc; eles, sem dúvida nenhuma, sabiam que estas coisas eram relevantes, embora também um problema social e talvez em parte político, mas de certa forma competiria à igreja cristã, e aos seus líderes em particular, cuidar daquela premente necessidade. Só que eles não trocavam a pregação da Palavra por um comentário social ou uma retórica política. E isso por que? Paulo nos responde em sua primeira carta a Timóteo, no verso quinze do capítulo três, quando diz que a casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, é a coluna e baluarte da verdade. Desta feita, gostaria de endossar as palavra do Dr. Martyn Lloyd-Jones, o qual diz em seu livro pregação e pregadores, que a Igreja não é uma organização ou instituição social, não é uma sociedade política, não é uma sociedade cultural, mas é “coluna e baluarte da verdade”.

O doutor Lucas que escreveu Atos dos Apóstolos, inspirado por Deus, nos relata no versículo quatro do capítulo oito, que os discípulos que foram dispersos, por causa da perseguição que se fazia à igreja, iam por toda parte pregando a palavra. É interessante nós atentarmos para o que o apóstolo Paulo, em sua segunda epístola, no quarto capítulo e nos primeiros quatro versículos, disse a seu filho na fé Timóteo.

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”

Quando o apóstolo Paulo ordena que Timóteo pregue a palavra, insta quer fosse oportuna, quer não. Ele usa a palavra khruxon “proclamar, pregar”, a idéia aqui, como bem colocou Fritz Rienecker, em sua chave lingüística do Novo Testamento grego, é de estar à mão, estar pronto. A palavra também era usada em sentido militar: estar a postos, mas aqui significa “estar no trabalho”, ou seja, o ministro cristão deve sempre estar trabalhando na proclamação da palavra, quer seja oportuno (no tempo certo, convenientemente), quer não (fora do tempo). Resumindo, Paulo queria que a palavra fosse pregada todo o tempo, pois não chegará uma época, antes da volta de Cristo, quando nós mudaremos esta comissão, nenhum tempo quando esse método de ministério será posto aparte por qualquer um outro. A pregação da Palavra deve ser feita todo o tempo.

As pessoas hoje estão famintas pela palavra de Deus, mas a questão é que elas não sabem isso. Elas estão procurando saciar esta fome, pois entendem que há um vazio em suas vidas, um lugar para ser preenchido, uma falta de entendimento. Elas, porém, não podem resolver os problemas e dilemas da vida. Elas estão famintas pela palavra de Deus, mas não o sabem e lhes estar sendo oferecido uma porção de substitutos que não ajudam. Deus tem ordenado que sua palavra seja trazida a elas, pois só Sua palavra pode alimentá-las e o método para que ela seja entregue é através da pregação. Mas, como disse o apóstolo são Paulo: “como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm. 10:14).

Nossa incumbência não vem da cultura, ela vem do céu. O Deus do céu é quem nos tem incumbido, através das páginas das Sagradas Escrituras, para pregar a Palavra, para pregar cada palavra e trazer as almas famintas a única comida que alimenta, e esta é a palavra da Verdade de Deus, a qual nunca sai de moda, ela é atual todas as manhãs. Como o nosso Senhor Jesus mesmo disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”(Marcos 13:31).

Li certa vez um artigo muito interessante na Internet. Era acerca de um jovem pastor que tinha acabado de sair do seminário e tinha sido convidado para pastorear uma igreja, numa cidade com várias universidades, nos Estados Unidos. Muitos dos membros dessa igreja eram professores nessas universidades. Ele estava preparando a sua primeira pregação, e ele estava pensando sobre aquela congregação bastante culta, todos aqueles Ph.D.s que estariam lá, e isso o intimidava muito. Então ele chamou seu pai, que era também um pastor muito sábio e piedoso, e lhe disse: “Pai, estou realmente tendo trabalho para preparar minha pregação.” “Qual o problema?” seu pai perguntou. “Bem, se eu falar sobre geologia, eu ficarei olhando para o Ph.D. em geologia. Se eu falar sobre sociologia, ficarei prestando atenção para o Ph.D em sociologia. Se falar sobre filosofia, encararei um Ph.D. em filosofia. O que você acha que eu devo fazer?” Seu pai respondeu: “Filho, porque você não prega apenas a Bíblia? Eles provavelmente sabem muito pouco sobre ela.”

Isto é uma boa ilustração dos nossos dias atuais, pastores querendo pregar sobre assuntos que não tem nenhuma fundamentação bíblica. Eles estão preocupados em impressionar os seus ouvintes com sua própria sabedoria, mas creio que se cada pastor e pregador acreditasse em 1 Coríntios 1:21, que diz: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.” (e a pregação aqui é a pregação da Palavra) - Não estariam perdendo o seu tempo em pregar aquilo que eles não foram chamados a pregar.


Postado por Elias Lima

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Obediência na Pregação traz verdadeiras conversões. Jn 3

Uma ênfase exacerbada no evangelismo tem trazido muitos danos a igreja cristã. Há um grande numero de igrejas superlotadas à procura de sinais, milagres, curas, línguas, etc.


A cada ano o IBGE atesta o crescimento da igreja evangélica. Contudo, o que vemos é a ascendência de um grupo de pessoas que abandonaram os princípios essenciais da fé evangélica. A conversão, para esses grupos, não passa de uma experiência mística que deve ser fortalecida a cada semana através de sinais extraordinários. Para outros grupos a conversão é a mudança da vida financeira, a melhora nos problemas pessoais, familiares.


Menos pessoas entendem o que significa a conversão como ensinada nas escrituras. Assim, o que é conversão de pecados? O que é necessário para haver conversão verdadeira?

A obediência do pregador v. 1-3

Após toda a experiência de Jonas, finalmente se reconciliou com Deus. A aflição traz alguns benefícios: nos reduz ao lugar de onde desertamos. Sl 119: 71 “foi-me bom ter passado por aflição, para que aprendesse os teus decretos”. Veja a graça divina trabalhando com a aflição. Veja a responsabilidade de todos aqueles para o qual a palavra de Deus vem. Jonas levantou-se imediatamente e foi pregar em Nínive segundo a palavra de Deus. Os servos de Deus devem ir aonde ele envia.


Jonas não era um pregador conhecido ou poderoso naquele país. O profeta não realizou nenhum sinal grandioso, ou fez milagres para o povo se converter. Nem ao menos citou a profecia que o tinha consagrado e tornado uma pessoa conhecida em seu país. Ao contrário, Jonas chegou em Nínive física e espiritualmente humilhado. Os ácidos gástricos haviam queimado a pele e rosto de Jonas, o que o tornava asqueroso e repelente, não atrativo. O episódio no grande peixe tinha deixado o profeta confiante somente em Deus.


Jonas chegou a contra gosto, pregando uma mensagem que não queria. Devemos lembrar que o profeta não queria que o povo se convertesse, assim temos um pregador falando sem motivação, entusiasmo, e esperança de sucesso nos seus sermões.


Contudo, Jonas foi fiel a mensagem de Deus. Apesar de todas essas contrariedades no coração do profeta, ele foi fiel e anunciou o evangelho. “Levantou-se .... começou a percorrer a cidade.... e pregava” 3-4.


A obediência de Jonas nos lembra o que se requer do despenseiro é que seja achado fiel - 1 Cor 4:2. “ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”. É necessário obediência de ir para levar as boas novas – Rm 10:17. “e como pregarão, não foram enviados? Como está escrito: quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas”. Deus valoriza não a aparência ou poder do pregador, mas sua obediência.

A supremacia da pregação – v. 4-9

Jonas entregou uma mensagem, aparentemente simples: “ainda 40 dias e Nínive será destruída”. Ele foi enviado como um arauto na iminência de uma guerra. Jonas saiu a percorrer uma cidade que era grande e principal do mundo gentílico da época.


Deus já havia mostrado sua graça para cidades pecaminosas como Sodoma e Gomorra, Tiro e Sidom, e agora queria mostrar sua misericórdia a Nínive. Porque Deus escolheu essa cidade e não Társis ou Jope não é dito, apenas devemos obedecer onde Ele mandar. Não devemos encher Deus de perguntas quando não temos como compreender as respostas. Apenas pregue.


O conteúdo da mensagem de Jonas era o mesmo: denunciar a maldade dos homens de Nínive como tendo incomodado tanto Deus que ele desceria para puni-los. Deus não muda, nem a sua palavra.


A demonstração de arrependimento dos ninivitas é até cômica, mas muito sincera: cobrir os animais com as mesmas roupas que eles usariam e nem um deles deveria comer ou beber. Imagine os ninivitas correndo atrás dos animais para que não fossem para os riachos ou comer gramas; uma vez que não havia currais, eles tiveram muito trabalho. A demonstração de fé nos novos convertidos é ao mesmo tempo sincera e engraçada.


Essa atitude era comum em velórios e funerais: roupas desconfortáveis, jejum, sentar-se sobre cinzas – E.g. Jó quando soube das desgraças, das perdas dos filhos e seus bens. Eles queriam comunicar o seguinte: “igual a tristeza de um funeral é a tristeza de saber que nossos pecados estavam causando em Deus”.


Jesus interpreta que os ninivitas serão, um dia, testemunhas contra os que não creram Mateus 12:41 “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas”.


Os ninivitas clamaram a Deus: “quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos”. A verdadeira pregação leva o homem a Deus, pois este está perdido, inimigo de Deus.


A pregação que salva continua a mesma dos dias de Jonas: advertir sobre a ira/justiça de Deus e o arrependimento. A pregação não deve ser substituída por gostos modernos – 1 Coríntios 1:18, 21-25. A pregação autêntica traz os verdadeiros frutos – aqueles que são de Deus virão – no livro “alimentando ovelhas ou entretendo bodes” Spurgeon diz: ‘O diabo tem raramente feito alguma coisa mais sagaz do que sugerir à igreja que parte da sua missão consiste em proporcionar entretenimento ao povo, com vistas a ganha-lo... em primeiro lugar nas escrituras é dito que prover divertimento para as pessoas não é função da igreja. Se isso fosse função da igreja, por que Cristo não falou sobre isso?... Deus chamou pastores, missionários, mestres para o ministério. Onde se incluem os que entretêm pessoas?... Se Cristo tivesse introduzido mais elemento festivos e agradáveis à sua missão, ele teria sido mais popular, quando as pessoas se afastavam dEle por causa da natureza perscrutadora e penetrante do seu ensino. Mas eu não O ouço dizendo: ‘corre atrás destas pessoas, Pedro, e diga a elas que teremos um estilo de culto diferente amanhã, algo mais breve e atrativo, com pouca pregação...’ Jesus se compadecia dos pecadores, preocupava-se e chorava por eles, mas nunca procurou diverti-los’.

Misericórdia de Deus - v. 10

Deus viu o arrependimento dos ninivitas e então se arrependeu do mal que disse que faria. Não quer dizer que Deus mudou no seu ser. A bíblia afirma que Deus é imutável. Deus é imutável no seu ser: Nm 23:19 “Deus não é homem para que minta; nem filho do homem para que se arrependa”. Deus é imutável nos seus planos: Jó 23: 13-14; “pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem consigo” 42:2; “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Pv 19: 21. Deus é imutável nas suas promessas: 2 Tm 2:13 “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de modo nenhum pode negar-se a si mesmo”. Deus é imutável nos seus atributos: Amor – Jr. 31:3; “de longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí”. Verdade – Sl 119: 89; “Para sempre ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu” Lc 21: 33; Misericórdia – Ml 3:6 “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”.


A Bíblia afirma que Deus é móvel, i.e. não uma estátua. Deus resolve tomar uma de duas decisões se suas criaturas seguirem determinado caminho. Deus muda quando suas promessas ou ameaças são condicionadas à obediência do homem. “Se” 2 Crônicas 7:14 “Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei do céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. Deuteronômio 28: 2, 15 “Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos .... Se porém não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, .... então virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão...”. Não é uma mudança no ser de Deus, mas uma escolha que Ele dá ao homem, e baseado nessa escolha Ele toma sua decisão. Ele dá oportunidade do homem escolher entre a sua justiça e a sua misericórdia.



Postado por Francimar Lima

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O DESAFIO DA PREGAÇÃO NA PÓS-MODERNIDADE (parte 2)

Cedendo lugar ao Experimentalismo

O pressuposto filosófico do catolicismo é que a igreja detém a verdade. Graças a Deus, a Reforma tirou este pressuposto e o colocou na Bíblia, ou seja, a Bíblia detém a verdade, interpretada pelo crente regenerado pelo Espírito Santo. Sendo desta forma, Roma deixou de ter a palavra final em matéria de interpretação. Só que esta postura tem sido mudada pelo experimentalismo, que tem pulverizado a interpretação, colocando a palavra final não mais na Bíblia, mas no crente, isto é, o crente detém a verdade. A qual, não mais vem da Bíblia, e sim, através de sonhos e interpretações na base de “o Senhor me revelou”. Há aqueles que não se importam para o que a Bíblia diz, pois, segundo as mesmas, elas conversam pessoalmente com Jesus. Em seus cultos não há mais espaço para a pregação da palavra, pois cada um tem um “Testemunho” ou uma “revelação” que recebera a noite anterior, e assim se dá mais importância e valor às experiências do que na Palavra de Deus propriamente dita. A diversidade de interpretações, até mesmo aquelas aberrações, partem da seguinte frase: “O Espírito me falou” ou “Deus me revelou”, essas são expressões comuns para que os ouvintes não tenham dúvidas nenhuma de que tal “irmão”, de fato, teve uma revelação. Os que defendem este tipo de comportamento, dizem que Deus ainda se revela a nós da mesma forma como Ele fazia no Novo e Velho Testamento, ou seja, através de sonhos, visões, revelações e até por manifestações miraculosas do Espírito Santo.

Nada nas Escrituras indica que as coisas que aconteceram na era dos profetas e apóstolos deveriam ocorrer em eras subseqüentes. Nem a Bíblia exorta o crente a buscar manifestações miraculosas do Espírito Santo. Em todas as epístolas neotestamentares, há apenas cinco ordens relacionadas aos crentes e ao Espírito Santo, as quais são:

1. “ não apagueis o Espírito” (I Tes. 5:19)
2. “Andai no Espírito” (Gl. 5:25)
3. “Orai no Espírito” (Judas 20)
4. “Enchei-vos do Espírito” (Ef:5:18)
5. “Não entristeçais o Espírito” (Ef. 4:30)

Como se pode ver, não há no Novo Testamento nenhuma ordem para buscar visões, revelações ou milagres miraculosos do Espírito Santo. Não estou dizendo que o Espírito Santo não realiza nenhum feito miraculoso, Ele o faz, e o maior deles é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, e fazendo isto, muitas almas têm sido miraculosamente salvas da perdição eterna. É claro que há pessoas que foram e ainda são curadas pelo poder de Deus, mas o que se ver nestes lugares são coisas que vão contrárias a palavra de Deus, e a pregação de Sua palavra está cada vez mais sendo esquecida nos púlpitos das igrejas.

Bem falou Lutero quando escreveu, a quase quinhentos anos atrás: “Quão horrível é ser um pastor e pregador e não pregar a palavra que é o maior e único dever e obrigação. Quão sério será para eles prestar contas por muitas almas que devem perecer pela falta de pregação na igreja”.

Temos que ter muito cuidado para que não caiamos neste perigo: o de dá margem para essas coisas em nossas igrejas em detrimento da Palavra.
Postado por Elias Lima

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A PERDA DA PRIORIDADE DA PREGAÇÃO NA IGREJA PÓS-MODERNA

Não há dúvidas de que a pregação, como forma distinta de comunicação das insondáveis riquezas de Cristo reveladas na Sua palavra, está em declínio. No entanto, a própria palavra de Deus já nos advertia através da segunda carta do Apóstolo Paulo ao seu filho amado Timóteo, dizendo como segue: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;”(2 Timóteo 4:1-3 ).


Nestas palavras, o apóstolo Paulo, que já tinha combatido o bom combate, completado a carreira, guardado a fé e sabendo que o tempo de sua partida estava chegando; apresenta a mais alta prioridade que um pastor deve dar a pregação. É claro que existiam outras responsabilidades com as quais Timóteo tinha que lidar, conforme indicam os outros capítulos, no entanto, nada era tão prioritário para Paulo quanto a pregação da palavra, e uma vez que a palavra de Deus é a voz de Deus, nada mais lógico de se concluir que este é, portanto, o próprio pensamento de Deus concernente o lugar da pregação na igreja.


É triste ver muitas igrejas que têm substituído a pregação da palavra de Deus por um número cada vez maior de atividades e coisas que não promovem a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade (Tito 1:1), antes, de um lado, promovem o entretenimento daqueles que precisam ser confrontados com os seus pecados; de outro, uma falsa conversão por parte dos chamados “convertidos” e o esfriamento da fé e amor de muitos para com Deus e Seu serviço na fé.


Postado por Elias Lima