terça-feira, 25 de agosto de 2009

REFLEXÕERS SOBRE O ABANDONO DA MORAL

A edição brasileira de The abolition of man, publicada pela editora Martins Fontes, trás como subtítulo Reflexões sobre a educação, especialmente sobre o ensino de inglês nas últimas séries. A obra faz parte de uma coletânea de títulos de C. S. que foram publicados por essa editora. As outras são Cristianismo puro e simples, Cartas de um diabo a seu aprendiz e Os quatros amores. Nesse opúsculo, como sugere o subtítulo da edição brasileira, o pensador irlandês analisa as conseqüências a longo prazo de uma educação que exalta o sentimentalismo e o instinto. Em certo sentido, a obra é surpreendente, pois, mesmo sendo pouco volumosa, consegue tratar o assunto com bastante profusão.

A obra está dividida em três partes. No primeiro capítulo, o autor demonstra que a finalidade dos novos princípios educacionais que estão sendo propagados é formar homens sem peito. O peito, segundo a análise do autor de As crônicas de Nárnia, é o elemento responsável pela ligação entre o homem cerebral e o homem visceral, entre o intelecto e o instinto. Sem esse elemento, o homem seria ou um espírito ou um animal, perderia uma das características essenciais de sua humanidade. Lewis principia sua análise fazendo alusão a um suposto livro que lhe foi enviado e que, segundo ele, contem os princípios dessa nova educação. Para preservar a identidade dos autores, Lewis denomina-os Gaius e Titius e a referida obra de O livro verde. Segundo esses autores, quando um homem afirma, por exemplo, que uma cachoeira é sublime, ele está dizendo apenas que possui sentimentos sublimes. Em outras palavras, ele não está emitindo um juízo de valor, mas demonstrando que é capaz de ser afetado por uma beleza natural. Para o pensador irlandês, essa posição levaria a absurdos evidentes. “Aceitá-la seria o mesmo que dizer que a frase ‘você é desprezível’ significa ‘eu tenho sentimentos desprezíveis” (p. 3). No desenrolar desse capítulo, o autor de Cristianismo puro e simples apresentará críticas severas ao livro verde. Na página seis, por exemplo, o pouco valor literário da obra é denunciado. Na página seguinte, ele acrescenta que, através dessa obra, as crianças não aprenderão nada de literatura. Como se não bastasse, os efeitos para a formação dessas crianças serão danosos. Elas desenvolverão “a crença de que todas as emoções associadas a lugares são em si mesmas contrárias a razão e por isso desprezíveis”. (p. 9). Lewis fundamenta a sua crítica demonstrando como O livro verde contraria a própria finalidade da educação. Já nos dias de Aristóteles essa tarefa tinha como alvo levar o aluno a gostar e desgostar daquilo que era certo gostar e desgostar. A educação propagada por Gaius e Titius, baseada no sentimentalismo e no instinto, atrofiava o senso moral dos alunos. No final do capítulo, Lewis acrescenta à sua crítica certa dose de ironia. Segundo ele, guiados pelos princípios educacionais do livro verde, “produzimos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa, caçoamos da honra e nos chocamos em encontrar traidores entre nós, castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis”.

Lewis inicia o segundo capítulo em tom bastante ameaçador. Segundo ele, “o resultado da educação feita nos moldes do Livro verde será inevitavelmente a destruição da sociedade que a aceitar” (p. 25). De fato, nesse capítulo, o pensador irlandês concentrará sua crítica na conseqüência principal dessa nova educação: o desenvolvimento de uma moral subjetiva. Analisar todas as teorias de moral subjetiva seria uma tarefa bastante enfadonha e que certamente fugiria ao propósito da obra. Sendo assim, o pensador irlandês elege o instinto para alvo de sua crítica. Na sequência, o autor de O problema do sofrimento apontará pelo menos quatro problemas em uma moral baseada no instinto. Lewis baseia a sua argumentação crítica na natureza do instinto. Em primeiro lugar, marcado quase sempre por um desejo irracional de satisfação. Em segundo lugar, o caráter insaciável do instinto exige que um instinto seja sempre sucedido por outro, o que, logicamente, levaria ao absurdo de uma série infinita de instintos. Em terceiro lugar, há instintos variados, os quais, em muitas situações, estão em guerra entre si. Por conseguinte, argumenta o pensador irlandês, “dizer que devemos obedecer ao instinto é como dizer que devemos obedecer às ‘pessoas’. As pessoas dizem coisas diferentes, e assim também os instintos”. (p. 34). Por fim, o mero instinto não é capaz de realizar um julgamento parcial por conta do seu componente afetivo. Segundo uma ilustração empregada pelo próprio Lewis, se o juiz é uma das partes julgadas, o seu julgamento não possui nenhuma validade.

Ainda no capítulo dois, Lewis introduz o conceito de Tao. Por Tao ele compreende a consciência moral presente no homem, aquilo que outros poderiam designar de lei natural, moral tradicional, primeiros princípios da razão prática, etc. A nova educação apresentada pelo Livro verde constitui-se em um ataque direto ao Tao. Há, não obstante, contradições evidentes na proposta apresentada pelos inovadores. Em primeiro lugar, eles atacam o Tao, mas para isso, precisam recorrer aos valores encontrados no próprio Tao. De fato, conclui Lewis, “se o Tao sai de cena, saem com ele todas essas concepções de valor”. (p. 40). Em segundo lugar, uma revolução no interior do Tao é algo que não encontra base histórica. Isso porque, segundo a análise do pensador irlandês, nunca houve e nem haverá um valor radicalmente novo na história do mundo. Quando há inovações, elas partem de fragmentos do próprio Tao. “É de dentro do Tao que emerge a única autoridade para modificá-lo”. (p. 45). De outro modo, é preciso compreender o Tao para poder modificá-lo, e só compreende quem o pratica. Em terceiro lugar, uma rebelião contra os princípios do Tao é uma espécie de rebelião dos galhos contra a árvore. Sem perceber, os rebeldes estão se auto-destruindo. Por fim, para Lewis, seria tão absurdo tentar criar valores radicalmente novos que seria o mesmo que tentar criar uma nova cor primária ou um novo sol e um novo céu no qual ele se mova.

No terceiro capítulo três Lewis fala da abolição do homem propriamente dita. O curioso dessa abolição é que ela surge exatamente em um momento em que o homem, guiado pela ciência e pela razão, afirma ter conquistado a natureza. Segundo o pensador irlandês, pelo fato de ter abandonado o Tao, a conquista final do homem tornou-se a sua própria abolição. De fato, há uma relação intrínseca entre a humanidade e o Tao. De modo que, sem esse princípio, o homem tem parte de sua essência subtraída. Nas palavras do autor de Anatomia de uma dor, “só há duas possibilidades: ou somos espíritos racionais obrigados para sempre a obedecer aos valores absolutos do Tao, ou então não passamos de uma mera natureza a ser manuseada e esculpida em novas formas para o deleite dos mestres, que por sua vez serão motivados unicamente por seus impulsos naturais” (p. 69). Lewis deixa claro que não e contra o avanço científico. De fato, a sua preocupação é com um conhecimento que esteja relacionado ao Tao. Segundo ele, quando o laço entre ciência e moral for dissolvido, o conhecimento também perecerá e o processo de abolição do homem terá sido completado.

No final da obra Lewis apresenta um apêndice onde são alistados fragmentos de vários códigos de ética. O seu objetivo com isso é demonstrar o caráter universal da lei natural (Tao). Obras como O livro dos mortos, Os analectos, Críton, Instituições, De officiis, entre outras, são mobilizadas pelo pensador irlandês. Princípios como justiça, caridade, verdade, honestidade, misericórdia e magnanimidade, são encontrados nos grandes códigos morais ao longo da história humana.

A obra A abolição do homem apresenta uma análise contundente das conseqüências de uma moral baseada na subjetividade e no instinto, bem como o abismo que espreita o homem contemporâneo, por ter este último abandonado aquilo que lhe prescreve as leis do Tao, por ter abandonado a moral objetiva e mergulhado no subjetivismo. Deve ser reconhecido que Lewis demonstra bastante profusão no tratamento do assunto. O seu conhecimento da literatura moral, seja ela oriental ou ocidental, é invejável. O referencial bibliográfico do pensador irlandês é tão amplo que ao nos depararmos com determinadas obras citadas por ele, por um momento, ficamos surpresos por saber que elas existem.

Há, contudo, algumas deficiências na obra que precisam ser destacadas. Do ponto de vista estrutural, a falta de elementos transitivos entre os capítulos compromete a coerência interna da obra. De fato, é só com muita dificuldade que é possível perceber a relação entre os capítulos. Por um momento podemos ser levados a pensar que, originalmente, o autor publicou os capítulos como artigos independentes. Essa possibilidade é fortalecida quando se constata que o livro não apresenta uma introdução e muito menos uma conclusão.

No que concerne ao conteúdo da obra, deve ser dito que Lewis foi infeliz ao eleger o conceito de Tao para se referir ao princípio da moralidade. O Tao é um conceito típico das religiões orientais, principalmente do Taoísmo, de modo que, aquele que desejar fazer uso dele, deverá, antecipadamente, justificar a sua adoção. Deverá demonstrar com bastante clareza em que sentido empregará o conceito em sua discussão. Caso contrário, o leitor será levado a pensar que o autor aceita todas as implicações de tal conceito. Lewis não foi cuidadoso em relação a isso. No Tao te Ching, o Tao se confunde, a própria idéia de Deus. Estaria C. S. Lewis de acordo com esse pensamento? Mesmo na ética confuciana, de onde Lewis parece extrair o conceito do Tao, essa confusão está presente.

REFERÊNCIA:

LEWIS, C. S. A abolição do homem, ou, Reflexões sobre a educação, principalmente sobre o ensino de inglês nas últimas séries. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Postado por J. Marques

terça-feira, 11 de agosto de 2009

a alegria do evangelho

A alegria do evangelho – 1 Tessalonicenses 1

Muitas coisas na vida nos trazem alegria: O casamento; o nascimento de um filho; a compra de um bem a muito desejado; um presente fora de época; a notícia de um final de campeonato vitorioso; fazemos um culto de ações de graça pela nossa formatura ou a recuperação de saúde de alguém; etc.
Contudo, há uma notícia que deveria nos trazer muito maior alegria: o evangelho e sua operosidade na vida das pessoas. Não resta dúvida que Deus se alegra quando as coisas vão bem conosco, mas não há uma festa no céu quando compramos um carro ou quando nasce um filho em nossa família; ou quando nosso time ganha o campeonato. O único acontecimento que causa essa alegria especial em Deus é: na conversão de pecadores através de seu evangelho.
A situação evangélica está fora de sintonia com Deus, pois a alegria das igrejas modernas se resume na prosperidade e ‘bençãos materiais’. A felicidade na propagação do evangelho autentico não é a marca da maioria das igrejas.
O apóstolo aos gentios sentiu grande alegria com a chegada do evangelho na cidade dos tessalonicenses. E creio, deveria ser essa também a nossa perspectiva.

O evangelho causa grande alegria.

Nos pregadores. V 1-5

Ele chama a igreja “em Deus pai e no Senhor Jesus Cristo”, i.e. na esfera de Deus e de Cristo.
A alegria do evangelho nos pregadores é manifestada: Dando graças. v 2a. Os apóstolos davam graças a Deus pelos convertidos. Corremos um risco muito grande de não louvar a Deus pelos que são salvos e louva-lo apenas pelas bênçãos materiais (bens, saúde, etc) e esquecemos o que de fato alegra o coração de Deus, i.e. a conversão dos perdidos. A exemplo dos missionários, devemos fazer coro na festa do céu com a conversão de pecadores.
A alegria do evangelho nos pregadores é manifestada: Orando. V 2b. Outro perigo que caímos é esperar que os novos convertido cresçam por si mesmos, sem o auxilio espiritual. Uma responsabilidade que temos é orar pelos que entregam suas vidas ao Senhor. Sem esquecer que a oração é sem cessar!
A alegria do evangelho nos pregadores é manifestada: Recordando a fé, o amor e a esperança. v 3. Paulo relembra aos irmãos: a fé gera trabalho; o amor gera abnegação; a esperança gera firmeza.
A alegria do evangelho nos pregadores é manifestada: reconhecendo a eleição através da pregação e do Espírito Santo. V 4-5. Paulo reconhece que a palavra de Deus não foi recebido simplesmente como palavra, mas sobretudo em poder, no Espírito Santo e em plena convicção.

O evangelho causa grande alegria.

Nos seguidores.

A alegria do evangelho nos seguidores é manifestada: Imitando o exemplo da fé. V 6. Imitador, alguém que imita, segue o exemplo ou ensino de outro. A igreja seguiu o exemplo dos apóstolos, do Senhor, em meio a muitas aflições com alegria do Espírito Santo. Esses crentes não seguiram o exemplo com pesar, tristeza ou desanimo, mas alegres.
A alegria do evangelho nos seguidores é manifestada: Tornando-se modelo. V 7-8. A igreja logo se tornou o padrão, modelo, exemplo para os crentes de outras igrejas; A palavra de Deus na vida dos irmãos repercutiu, lit. ecoou continuamente como o som de uma trombeta. Como é bom ouvir boas noticias da igreja de Cristo; contudo, o que caracteriza nossa época é o escândalo, e não a edificação. O exemplo dessa igreja continua um modelo para os crentes do século 21.
A alegria do evangelho nos seguidores é manifestada: Convertendo-se a Deus dos ídolos. V 9. Lit. se converteram a Deus dos ídolos para servir. Infelizmente, há muitos crentes cheios de ídolos no coração. Vários empecilhos de servir ao Deus vivo e verdadeiro.
A alegria do evangelho nos seguidores é manifestada: Servindo a Deus. A nossa conversão significa mudança de senhor. Nesse mundo sempre seremos servo de alguém, cabe a nós escolher nosso senhor.
A alegria do evangelho nos seguidores é manifestada: Aguardando a vinda do Senhor. Nenhum cristão será completo se não viver como peregrino nesse mundo, sabendo que logo será arrebatado e levado para sua verdadeira pátria; por isso, aguardamos a vinda do Senhor Jesus. Maranata. Ora vem Senhor Jesus!

O que causa alegria no seu coração?

Pr. Francimar Lima
Casa Nova - BA

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Espera no SENHOR

“Descansa no Senhor e espera nele...” Salmo 37:7
Vivemos em dias corridos. Parece até que não tem mais 24 horas. A comida que preferimos é o fast food. Ninguém tem mais tempo para esperar. Se o carro da frente não se movimentar quando o sinal abre, disparamos logo a buzina. A impaciência toma conta de todos. É uma mal da pós-modernidade.
Este mal atinge em cheio nosso relacionamento com Deus. Muitos já chegaram a duvidar do cuidado de Deus por conta de Sua “suposta” demora. Mas não foi Deus quem demorou, foi a pessoa que era impaciente. Por isso precisamos aprender a esperar no Senhor.
O versículo que citamos acima fala do esperar em Deus. Estas são palavras do rei Davi. Ele havia aprendido a esperar e confiar no SENHOR. São muitos os fatos na vida do homem segundo o coração de Deus que comprovam esta verdade.
Podemos dizer que a grande espera de Davi foi chegar ao trono de Israel. Em 1Samuel 16:12-13, encontramos o profeta Samuel ungido o jovem filho de Jessé como rei. O trono, porém, não veio no mesmo instante nem no outro ano. Davi primeiro tangeu harpa para Saul, lutou contra Golias, foi perseguido e traído pelos seus compatriotas, e até se fez de doido. Haja paciência! Davi não ficou cobrando de Deus agilidade, nem chegou ao trono quando teve oportunidade de matar Saul duas vezes. Ele simplesmente esperou no SENHOR. Então, depois de uns 15 anos, ele sobe ao trono (2Samuel 2:1-4). Contudo, seu reinado era apenas sobre a tribo de Judá. Ele precisou esperar mais sete anos e meio (2Samuel 5:4-5) para ser rei de todo o Israel. Faça as contas e veja o quanto o ex-pastor de ovelhas precisou esperar. O tempo de Deus havia chegado.
Quando lembramos destes fatos, lemos o salmo 37 de forma diferente (leia, por favor). São palavras de um homem que tinha experimentado o que está dizendo. Não é teoria, é realidade. É encorajador.
Irmãos, aprendamos a esperar no SENHOR. Talvez você esteja pensando que já era tempo daquele emprego ter chegado, ou daquela enfermidade ter ido embora. Talvez você já tentou o vestibular três vezes, e ainda não foi aprovado. Talvez pense que já era tempo de arrumar um namorado. Qualquer quer seja sua espera, simplesmente confie no tempo e no plano soberano de Deus, e o mais ele fará. Se tiver dificuldades de pensar assim, traga à memória o exemplo de Davi.
Uma boa espera para todos.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ORAÇÃO E MISSÕES: Tornando A Oração Um Meio Eficaz De Fazer Missões - Parte 2

INTRODUÇÃO

Quando lemos os relatos biográficos acerca de Jorge Whitefield, Davi Branerd, Jorge Müller, Hudson Taylor e C.H. Spurgeon, além de muitos outros, ficamos convencidos do papel importante que a oração exerce no sucesso missionário.
É dito sobre Jorge Whitefield que uma multidão de 10 mil pessoas respondeu ao apelo para se entregar ao Salvador, sua biografia também relata que ele era um homem de oração. Através da oração e do jejum as portas foram abertas para Davi Branerd pregar e conduzir a Cristo muitos índios em várias tribos nas florestas dos Estados Unidos. Pela oração e fé as portas foram abertas para Jorge Müller abrigar milhares de crianças no orfanato, e conduzi-las a Cristo, além de realizar em prol do evangelho outros trabalhos. Hudson Taylor, criador da Missão do Interior da China, pela oração suplicou a Deus por mais obreiros, e Deus mandou, suplicou pela abertura de porta à palavra e Deus abriu, de modo que várias igrejas foram estabelecidas por Hudson Taylor na China. Sobre o êxito de Spurgeon, é dito que o príncipe dos pregadores era, antes de tudo, o príncipe de joelhos.
No último estudo que falamos sobre a relação entre oração e missões, aprendemos que quando oramos por mais obreiros, estamos fazendo da oração um meio eficaz de fazer missões. Entretanto, esta relação não se limita à oração por obreiros, pois, destacaremos aqui outro meio bíblico, prático e indispensável de relacionar oração e missões.


ORANDO POR ABERTURA DE PORTA À PALAVRA

Na ocasião em que Jesus assegurou a fundação da igreja, apesar de assegurar também seu crescimento e expansão, ele reconheceu a existência da portas fechadas, mas garantiu que seriam abertas: “...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).
Podemos dizer de antemão, que a oração é a chave para Jesus cumprir sua garantia e abrir portas para o crescimento da igreja. Para que essa idéia não fique só no campo da conjectura, gostaria de apresentar pelo menos dois textos bíblicos onde ela pode ser encontrada.

Um Pedido De Oração
Na sua epístola aos Colossenses, Paulo faz a seguinte exortação e pedido aos irmãos: “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado...” (Cl 4:2-3).
Segundo a maioria dos comentaristas do Novo Testamento, Paulo escreve a sua carta à igreja de Colossos por volta do ano 60 d.C., da prisão em Roma. Sem entrar em detalhes sobre as argumentações contrárias ou a favor, tomemos por base essa informação. Paulo é conhecido como um dos maiores, senão o maior missionário que já existiu. Sua dedicação ao evangelho era extrema, sua coragem era imensa, seu amor por Cristo era sem medida. Ele conduziu a Cristo um número considerável de pessoas. O coração de Paulo ainda ardia com o desejo de ser instrumento de salvação a muitos outros. Contudo, Paulo agora estava preso. A prisão para Paulo era uma ameaça ao progresso do evangelho, era um empecilho ao sucesso missionário. É diante dessa situação que Paulo demonstra a urgência de seu pedido, dizendo para os irmãos “suplicarem” por eles.
O mais impressionante nisso tudo é que Cristo cumpre sua garantia e atende às orações dos colossenses em relação a Paulo. Tomando novamente por base a posição da maioria dos comentaristas do NT, da mesma prisão em Roma, um pouco mai tarde, Paulo escreve também aos filipenses, por volta do ano 61 d. C., e a situação que ele relata agora é diferente. Enquanto ele dizia aos colossenses que estava "algemado", e por isso pedia oração para que Deus abrisse porta à palavra, pelo menos um ano mais tarde ele disse aos filipenses “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho” (Fp 1:12). Deus, portanto, ouviu as orações dos irmãos de Colossos e abriu porta à Palavra. E a porta foi aberta de tal forma que não somente Paulo pregava dentro de seu alcance, mas, também outros irmãos, como o próprio Paulo testemunha: “e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus” (Fp 1:14).

Uma Resposta De Oração
Paulo foi grandemente usado por Deus no período de expansão da igreja, já Pedro o foi no período de fundação da igreja. Sem deixar de mencionar que Pedro estava presente quando Jesus disse que edificaria a sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, e, além disso, Jesus disse a Pedro que lhe daria as chaves do reino, que segundo o meu entender, é a responsabilidade de Pedro levar o evangelho para a salvação tanto aos Judeus como aos Gentios, o que de fato aconteceu. Portanto, assim como, uma prisão para Paulo era uma ameaça ao crescimento da igreja, para Pedro era uma ameaça ao seu estabelecimento.
Mesmo assim, Pedro passou por várias prisões. De todas elas, porém, Deus ouviu as orações e soltou Pedro, abrindo porta à palavra. Uma prisão em especial deve ser mencionada aqui. No capitulo 12 de Atos, Lucas começa relatando um acontecimento triste, que foi a execução do Apóstolo Tiago, irmão de João, realizada por Herodes. Lucas ainda diz que na mesma ocasião, Pedro também foi levado à prisão, talvez a intenção de Herodes fosse fazer o mesmo com ele. Mas, algo frustrou os planos de Herodes, Lucas relata: “Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (At. 12:5).
Nos versículos seguintes Lucas relata o livramento sobrenatural de Pedro, por meio de um anjo, sua chegada junto aos irmãos que estavam em oração, e ainda, a execução de Herodes, realizada por Deus, por ele ter tentado fechar porta à palavra. A conclusão destes eventos aparece no verso 24 “Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava”. Tudo isso, como resposta à incessante oração da igreja.

Uma Necessidade De Oração
No contexto mundial, ainda há muitas portas que precisam ser abertas, pelas quais devemos orar. Há, por exemplo, países em que a pregação do evangelho é definitivamente proibida. Segundo a Missão Portas Abertas, a Coréia do Norte está em primeiro lugar na lista dos países em que a igreja é mais perseguida. Esta é uma necessidade clara de incessante oração por parte da igreja em favor destes irmãos perseguidos.
Outra necessidade que deve tomar o tempo da igreja em oração é a situação nas escolas e universidades. A teoria da evolução, que é contrária ao ensino bíblico da criação de Deus, as filosofias modernas, como o relativismo, têm tomada cada vez mais espaço no contexto estudantil, ameaçando a divulgação do evangelho e a fé dos cristãos que estão inseridos nesse meio. Precisamos, portanto, orar pela abertura de porta à palavra nesse contexto.
A oração por missões urbanas também é uma necessidade de nossa época. Especialmente nas grandes cidades, por causa da superficialidade que há nos relacionamentos, as pessoas estão, muitas vezes, vivendo isoladas dentro de suas próprias casas, cercadas por muros altos, protegidas por cães ferozes, ou em apartamentos sem pelo menos conhecer seus vizinhos. Por causa dessa situação, tem sido cada vez mais difícil levar o evangelho a essas pessoas. Esta porta também precisa ser aberta, e a oração é a chave.

CONCLUSÃO

Muitas outras necessidades poderiam ser citadas, e a tarefa de cada igreja local é identificar a porta fechada e orar para Deus abrir. Quando relacionamos oração e missões, pedindo para Deus abrir porta à Palavra, o sucesso missionário é garantido. Mais importante do que o método é a porta aberta para o evangelho.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ORANDO POR FÉ: Uma Necessidade Constante

Marcos 9:14-29

Sempre que oramos fazemos uma longa lista de pedidos. Em nossos pedidos lembramos de muitas pessoas e de muitas necessidades. Mas uma coisa que comumente esquecermos é de pedirmos por uma fé maior, isto porque, estamos mais preocupados com a resposta em si dos pedidos do que com o meio pelo Deus atende o nosso pedido. Jesus disse: Tudo é possível ao que crê. Crer neste contexto é expressar uma fé maior. Diante do texto supracitado e da declaração de Cristo, entendemos que precisamos invocar a Deus por uma fé maior. Vejamos algumas razões por que precisamos de mais fé.

Primeiramente, precisamos invocar a Deus por uma fé maior, porque há situações em nossas vidas que exigem uma expressão maior de fé. No texto mencionado, ocorreu algo inusitado. Os discípulos apesar de estarem com Jesus já por muito tempo, terem testemunhado o poder que Jesus tinha sobre tudo e todos, multiplicando pães e peixes, andando por sobre as águas, curando todo tipo de enfermidade, e operando milagres indefinidamente, não conseguiram atender ao pedido de um pai desesperado que luta com o problema de seu filho desde a infância. Os discípulos deveriam estar confiantes diante de tudo o que eles já tinham passado, talvez eles achassem que estavam preparados para tudo, mas uma situação trazendo um necessidade diferente exigiu uma expressão maior de fé. Conosco não é diferente, por mais maduros que sejamos, e diante de todas as adversidades e problemas que enfrentamos, ainda virá um que exigirá que tenhamos mais fé. Por conta disso, oremos por mais fé.

Segundo, com uma fé maior seremos levados a confiar mais em Deus. Nos valendo ainda do episódio narrado em nosso texto, percebemos que a situação degradante daquele rapaz dava-se não somente por causa da ação infernal do diabo, mas também por causa da falta de fé do pai. Falta de fé neste contexto diz respeito à falta de confiança no poder e na intervenção de Deus, o pai está tão descrente que seu filho saia daquela situação que pergunta a Jesus “se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”. Na verdade a próxima fala de Jesus “tudo é possível ao que crê”, serve para mostrar duas coisas, primeiro a falta de fé do pai, segundo a disposição de Deus em atender ao que tem fé. Diante disto, Jesus nos ensina que com mais fé confiaremos mais em Deus. Para um problema maior, precisamos de mais confiança em Deus, para termos mais confiança em Deus precisamos de mais fé, e para termos mais fé precisamos orar mais.

Por fim, precisamos invocar a Deus por uma fé maior porque é o meio para vermos uma maior demonstração do poder de Deus em nossas vidas. Nesta história podemos inferir que quanto mais fé, mais veremos o poder e a intervenção direta de Deus em nossas vidas. Além disso, Jesus nos deu evidências claras disso, nas várias situações narradas nas Escrituras em que Jesus diz que os discípulos, ou mesmo outras pessoas, foram impedidas de resolver, ou ver determinada situação resolvida por serem de pequena fé. Portanto, se queremos contemplar a mão e o poder de Deus, precisamos orar por uma fé maior.

Pr. Figueiredo

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Parábolas do Reino

Mateus 13:24-30; 36-43

Quem gosta de ter seus planos frustrados? Trabalhar por um objetivo e então ver todo o esforço cair por terra? Como você reagiria diante de uma pessoa que quis estragar seus planos? Anos atrás paises ricos criaram pragas em laboratórios para frustrar o crescimento de paises em desenvolvimento.
Desde que Deus criou o mundo, o seu inimigo tem tentado frustrar os seus planos. O diabo criou suas pragas com as quais tenta infectar e destruir a plantação de Deus. Jesus ilustra essa verdade com a parábola do joio do campo.

A parábola

Um homem plantou um campo. A técnica bastante rústica consistia em sulcar a terra com um arado manual puxado por animais. O trabalho era esgotante, pois precisava de força e concentração. Com uma das mãos o agricultor segurava o arado com a outra ele segurava uma vara, aguilhão, para estimular o animal a andar e tirar do caminho do arado as pedras. Alguns campos precisavam ser adubados com esterco. Depois ele semeava manualmente cada semente nas respectivas covas. Agora era depender das chuvas.

O cereal escolhido pelo agricultor foi o trigo. Um cereal grandemente importante na alimentação da humanidade. Fazia parte da dieta dos judeus (Juizes 6:11; Rt 2:23; 2Sm 4:6); a colheita do trigo era empregada como ponto de referência do calendário (Gn 3:14; 1 Sm 6:13; 12:17). Como alimento era símbolo da bondade e da provisão de Deus (Sl 81:16; 147:14). Era usado como oferta de cereias no culto do templo (Ed 6:9; 7:22). Jesus usa a semente do trigo como símbolo da sua morte para dar vida a outros (Jo 12:24).

O inimigo semeou joio no campo. Lolium temulentum, tipicamente conhecida como joio (ou cizânia), é uma planta anual pertencente à família Poaceae e ao gênero Lolium. De talo rígido, pode crescer até 1 metro de altura, com inflorescências na espiga e grão de cor violeta. Usualmente cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo e se considera uma erva daninha desse cultivo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo". Pode ser venenosa e uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Portanto, vem daí a famosa expressão bíblica "é preciso separar o joio do trigo", que virou ditado popular.

Cada erva dá o seu fruto. Quando o trigo começa a ficar dourado, ao seu lado o joio fica violeta. Logo, são percebidos pelos seus frutos, apesar de serem parecidos, os frutos denunciam a procedência de cada um, V. 26. Os servos queriam arrancar o plantio, 27-28. O senhor prefere esperar a colheita, 29-30. Seria um grande prejuízo, tentar escolher ou separar o joio do trigo, haja visto a grande semelhança. Assim é melhor deixar a praga viver no meio do trigo, ser alimentanda do adubo, da água, do cuidado contra os gafanhotos, etc que os servos dariam, do que tentar arrancar um e danificar o outro.

Na colheita, o trigo era, logo, separado do joio. Era recolhido no celeiro, depois de ter sido joeirado, i.e. colocado num terreno limpo e amassado com um peso para separar da palha, e finalmente ensacado e guardado em silos ou celeiros.

Era feito uma grande fogueira para queimar o joio. Representava uma dupla alegria para o senhor e os servos: a) a colheita tinha sido um sucesso, apesar dos obstáculos, eles tinham trigo em seus celeiros; b) o plano do seu inimigo não deu certo. Assim era gratificante arrancar aquelas ervas daninhas e lança-las ao fogo.

A explicação da parábola

Os filhos do reino serão separados na consumação dos séculos.

E quem são os filhos do reino?

Os filhos do reino FORAM LANÇADOS NO MUNDO.

O semeador é o filho do homem – v 37 – Deus é descrito como um semeador, um agricultor. Nenhum agricultor, em sã consciência, iria plantar ervas danosas na sua roça de milho, arroz, feijão, cebola. V. 24 “um homem semeou boa semente”. Deus também plantou uma roça de coisas boas, mas o diabo confundiu esse roçado – Ec 7:29 “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”.

O campo é o mundo – v 38a. O campo não é a igreja, mas o mundo. A parábola não é sobre a igreja, mas sobre o reino, o governo geral de Deus. Ele não é o rei apenas na igreja, mas no mundo todo. Mesmo depois do pecado, esse mundo continua sendo de Deus. Apesar de ter sido contaminado com o pecado. Estragar a plantação do homem não o fez desistir da sua roça. Todos moramos no mundo de Deus; achar que podemos fazer o que queremos é imprudência e vai custar caro.

A boa semente são os filhos do reino – v 38b. É o que traz alegria e esperança ao agricultor; no Salmo 126;6 “quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo seus feixes”. Os crentes são a alegria de Deus nessa grande roça.

Os filhos do reino FORAM LANÇADOS JUNTOS COM OS FILHOS DO MALIGNO.

O joio são os filhos do maligno – v 38c. O joio e o trigo são parecidos, mas inconfundíveis: pelo fruto os conhecereis – Mt 7:16 – o trigo produz grãos, o joio sementes sem valor. Tanto o joio como o trigo tiram do mesmo campo os nutrientes essenciais para sua existência. Os filhos do reino e do maligno compartilham coisas semelhantes (ar, comida, estradas, bairros, fábricas, escolas, mercados, lojas, sol, chuva), mas são duas pessoas opostos espiritualmente – 2 Coríntios 6:14-16. Os filhos do maligno podem imitar, mas jamais poderão produzir a retidão dos verdadeiros crentes. São tratados como “escândalos” e “praticantes da iniqüidade”. O inimigo é o diabo – v 39a. O diabo reproduz seus filhos para confundi-los com os filhos do reino – João 8:44; 1 João 3:8 “aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio”. Desde a queda do diabo, a sua satisfação é tentar frustrar os planos de Deus. Os seus filhos são cooperadores nessa tentativa.

Os filhos do reino RECEBERÃO LUGARES DIFERENTES.

A colheita é a consumação dos séculos – v 39b. O fim desta era pecaminosa. A revelação da nova era iniciada por Cristo na sua morte e ressurreição. Os ceifeiros são os anjos – v 39c – assim como Lázaro foi levado por anjos ao seio de Abraão – Lc 16:22 – nós seremos no final das eras. Jesus compara essa separação como o pastor que separa os cabritos das ovelhas – Mateus 25:32. O trigo será recolhido no celeiro – v 30c cf. Mateus 3:11-12. Os filhos do reino são chamados “justos”. Os justos resplandecerão como sol. O joio será queimado em fogo inextinguível – v 30, 42.

Postado por Francimar Lima

domingo, 19 de abril de 2009

Os Significados de Amor na Bíblia (Parte 3)

O Amor no Novo Testamento

O que faz o Novo Testamento novo é a aparência do Filho de Deus na cena da história humana. Em Jesus Cristo vemos como nunca antes, uma revelação de Deus. Como Ele disse: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14:9; cf. Col 2:9; Heb 1:3). Já que em um verdadeiro sentido, Jesus era [é] Deus. (Jo 1:1; 20:28).

Mas a vinda de Cristo não somente trás a revelação de Deus. Por Sua morte e ressurreição, Cristo também trás a salvação de homens (Rm 5:6-11). Esta salvação inclue: perdão de pecados (Ef 1:7), acesso a Deus (Ef 2:18), a esperança da vida eterna (Jo 3:16), e um novo coração que é inclinado a fazer as boas obras (Ef 2:10; Tt 2:14).

Portanto, ao lidar com o amor, devemos tentar relacionar tudo à Jesus Cristo e Sua vida, morte e ressurreição. Na vida e morte de Crsito vemos de uma nova maneira o que o amor de Deus é, e o que o amor do homem para com Deus e para com os outros deve ser. E pela fé, o Espírito de Cristo, que vive em nós nos capacita a seguir Seu exemplo.

O Amor de Deus por Seu Filho

No Antigo Testamento vimos que Deus ama Sua própria glória e se deleita em expor-la na criação e redenção. Uma mais profunda dimensão deste auto amor se torna claro no Novo Testamento. É ainda verdadeiro que Deus aspira em todos os Seus trabalhos a demonstrar Sua glória aos homens para regozijo e louvor (Ef 1:6, 12, 14; Jo 17:4). Mas o que sabemos agora é que Cristo “reflete a glória de Deus e carrega o selo de Sua natureza” (Heb 1:3). “Nele habita toda plenitude da Divindade” (Col 2:9).

Em resumo, Cristo é Deus e tem existido eternamente numa união misteriosa com Seu Pai (Jo 1:1). Portanto, o auto amor de Deus, ou Seu amor por Sua própria glória, pode agora ser vista como um amor para “a glória de Cristo que é a semelhança de Deus” (2 Cor 4:4; cf. Fl 2:6). O amor que Deus o Pai tem pelo Filho é expresso várias vezes no evangelho de João (3:35; 5:20; 10:17;15:9, 10; 17:23-26) e ocasionalmente em outro lugar (Mt 3:17; 12:18; 17:5; Ef 1:6; Col 1:13).

Este amor dentro da própria trindade é importante para os cristãos por duas razões: Primeira, a beleza cara da encarnação e a morte de Cristo não podem ser entendida sem Ele. Em segundo lugar, é o próprio amor do Pai pelo Filho que o Pai coloca nos corações dos crentes (Jo 17:26). A última esperança do cristão é ver a honra de Deus em Cristo (Jo 17:5), estar com Ele (Jo 14:24) e deleitar-se com Ele, tanto como o seu Pai se deleita (Jo 17:26).

Daqui a algumas semanas postaremos a quarta parte, deste artigo de John Piper, que falará do Amor de Deus pelos homens.

Tradução: Elias Lima
Fonte: http://www.desiringgod.org/

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Cordeiro de Deus

Você sabe de qual grande data cristã estamos nos aproximando? Da Páscoa. E quando falamos em Páscoa, as pessoas pensam logo em coelhinho e ovo de chocolate. Mas qual é o símbolo mais fiel desta festa celebrada por milhões de pessoas? João Batista nos dá uma pista.
“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1:29

O símbolo mais fiel é o cordeiro, que é Jesus Cristo.
Quando João chamou Jesus de Cordeiro, as pessoas de sua época entendiam muito bem o que ele estava falando, pois os sacerdotes judeus sacrificavam dois cordeiros diariamente, um pela manhã e outro ao pôr-do-sol (Êxodo 29:38). Aqueles cordeiros eram sacrificados pelos pecados do povo. E tudo aquilo começou quando Deus tirou o povo de Israel da escravidão do Egito (Ex. 12:1-24).

Portanto, quando João Batista chamou Jesus de Cordeiro de Deus, ele estava mostrando que primeira páscoa era um anúncio da libertação espiritual. No Egito, o povo foi libertado da opressão social, mas em Cristo a libertação é do pecado. É o cordeiro que tira, que remove o pecado do mundo.
Para remover pecados, o cordeiro teve que ser morto, assim como foi o cordeiro pascal. E as Escrituras já anunciavam isto (Isaías 53:4-7; Hebreus 9:12-22).

Esta foi a missão de Jesus na sua primeira vinda. E ele fez isto primeiro porque compreendia a seriedade do pecado. O maior problema do homem não é a violência, como muitos pensam. O pecado é o problema mais sério do homem. Jesus alimentou multidões, deu vista aos cegos, fez paralíticos andar, ressuscitou mortos e fez muitos outros milagres, mas isto não foi sua principal missão. Se fosse, sua morte teria sido uma tragédia para Ele mesmo, pois vivo Ele seria “mais útil”. A missão de Jesus em sua primeira vinda foi anunciar o arrependimento de pecados (“O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Marcos 1:15)). Para assegurar o perdão ao pecador arrependido, o Cordeiro de Deus morreu na cruz do Calvário. Se Jesus for apenas um curandeiro, padeiro, banqueiro e psicólogo para você, então você ainda está perdido, pois Ele veio para conduzir pecadores arrependidos para o Reino de Deus. Saiba que seu maior problema não é financeiro, nem físico, mas espiritual. Jesus mesmo disse: “O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mt.16:26).

A missão de Jesus foi morrer na cruz por pecadores, e Ele cumpriu aquela missão não só por causa da seriedade do pecado, mas também porque o sangue de um animal não podia salvar o homem. A Bíblia diz que é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados (Hebreus 10:4). Quem pecou contra Deus foi o homem. Somente um homem perfeito, sem pecados podia morrer para removê-los. E só Jesus viveu sem pecado (Hebreus 9:14). Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Assim como o sangue de animais não podia remover os pecados dos judeus, hoje por nenhum outro meio ou pessoa podemos ser perdoados por Deus. Jesus é o único. Ele é O Cordeiro, o único que tira pecados. Você crer nisto? Então abandone qualquer outra tentativa de ser salvo?

Parece algo muito simples não é? Sim é simples mesmo. O mais difícil Cristo fez na cruz. Agora esta simplicidade exige de você uma resposta. Crer e agir. A nossa crença em algo se revela pelas nossas atitudes. Quando Deus disse a Moisés que o povo deveria sacrificar um cordeiro e passar o sangue do mesmo nas vigas das portas das casas, cabia ao povo mostrar a sua crença na palavra de Deus, sacrificando o cordeiro.

Hoje nenhum cordeiro precisa ser sacrificado. Jesus, o Cordeiro de Deus, já foi sacrificado na cruz. O que você vai fazer com este Cordeiro?

Postado por José Roberto

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os significados de Amor na Bíblia (Parte 2)

O amor do Homem para com Deus

Outro modo de descrever a posição que uma pessoa deve assumir para receber a plenitude da ajuda amável de Deus consiste em que a pessoa deve amar a Deus. “O SENHOR guarda a todos os que o amam; porém os ímpios serão exterminados.” (Salmos 145:20). “Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.” (Salmos 5:11;cf. Is 56:6, 7; Salmos 69:36). “Volta-te para mim e tem piedade de mim, segundo costumas fazer aos que amam o teu nome.” (Salmos 119:132).

Esses textos são simplesmente uma defesa na vida das estipulações postas na Aliança Mosaica (a aliança Abraãmica teve as suas condições também, embora o amor não seja mencionado explicitamente: Gên 18:19; 22:16-18; 26:5). Deus disse a Moisés: “e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.”(Êx 20:6; Dt 5:10; Ne 1:5; Dn 9:4). Uma vez que o amável Deus foi o primeiro e a garantia da promessa da aliança, Ele se tornou o primeiro e o grande mandamento na lei: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”(Dt 6:5).

Este amor não é um serviço feito para Deus ganhar os seus benefícios. Isto é inimaginável: “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno” (Deuteronômio 10:17). Isto não é um trabalho feito para Deus, mas pelo contrário, uma aceitação feliz e admiradora do Seu compromisso de trabalhar para aqueles que confiam nele (Sl 37:5; Is 64:4). Desta forma a Lei Mosaica começa com a declaração que mantém a grande promessa a Israel: “Eu Sou o Senhor vosso Deus que vos tirou da terra do Egito” (Ex 20:2). A ordem de amar a Deus é uma ordem de deleitar-se com Ele e admirá-Lo antes de mais nada e ser contente com o Seu compromisso de trabalhar poderosamente para a sua gente. Assim, diferentemente do amor de Deus por Israel, o amor de Israel para com Deus foi uma resposta ao que Ele tinha feito e faria a favor deles (cf. Dt 10:20-11:1). O caráter de resposta do amor do homem para com Deus é visto também em Js 23:11 e Sl 116:1. Nas suas expressões mais perfeitas, ele se tornou a paixão de toda a consumação da vida (Sl 73:21-26).

O Amor do homem para com o homem

Se uma pessoa admira e adora a Deus e encontra o cumprimento tomando refúgio no seu cuidado compassivo, então o seu comportamento para com seu próximo refletirá o amor de Deus. O segundo grande mandamento do Antigo Testamento, como Jesus o chamou (Mt 22:39), vem de Levítico 19:18, “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.” O termo “próximo” aqui, provavelmente quer dizer outro israelita. Mas em Levítico 19:34, Deus diz: “Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.”

Podemos entender a motivação do amor aqui, se citarmos uma passagem paralela em Deuteronômio 10:18, 19, "que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes. Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito." Esta é uma passagem paralela a Levítico 19:34, porque tanto se refere a permanência de Israel no Egito como ao mandamento de amar ao próximo. Mas, o mais importante, as palavras "Eu sou o Senhor o seu Deus" em Levítico 19:34, são colocadas em Deuteronômio 10:12-22, como uma descrição do amor, justiça e feitos poderosos de Deus por Israel. Os Israelitas deveriam mostrar o mesmo amor ao próximo, da mesma forma que Deus mostrou para com eles. Levítico 19 também começa com um mandamento: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”. Depois a frase: “Eu sou o Senhor” é repetida quinze vezes no capitulo 19 depois de ordens individuais. Assim, a intenção do capitulo é dá um exemplo especifico de como ser santo como Deus é santo. Visto no vasto contexto de Deuteronômio 10:12-22, isto significa que o amor de uma pessoa pelo seu próximo deve provir do amor de Deus e assim refletir Seu caráter.

Devemos notar que o amor ordenado aqui, diz respeito tanto aos atos externos quanto as atitudes internas. “Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo” (Lv 19:17). “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo” (Lev 19:18). E amar teu próximo como a ti mesmo, não significa ter uma auto-imagem positiva ou a alta auto-estima. Significa usar o mesmo zelo, a inventividade e a perseverança para procurar a felicidade do seu próximo da mesma forma que você procura a sua própria. Para outros textos sobre o amor próprio veja: Pv 19:8; 1 Sm 18:1, 20:17.

Se o amor entre os homens é para refletir o amor de Deus, ele terá que incluir o amor aos inimigos, pelo menos em algum grau. Pois o amor de Deus por Israel era livre, imerecido e tardio para se irar, perdoando muitos pecados que criaram inimizade entre Ele e Seu povo (Êx 34:6, 7). E Sua misericórdia se estende além das frontearas de Israel (Ge 12:2, 3; 18:18; Jonas 4:2). Portanto, encontramos instruções para amar o inimigo. “Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo.”(Ex 23:4, 5). “Quando cair o teu inimigo, não te alegres” (Pv 24:17). “Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer” (Pv 25:21). Veja também Pv 24:29; 1 Rs 3:10; Jo 31:29, 30; 2 Rs 6:21-23.

Mas este amor pelo inimigo deve ser qualificado de duas maneiras: primeiro, no Antigo Testamento a maneira com que Deus trabalhava no mundo tinha uma dimensão política que não se tem hoje. Seu povo era uma étnica distinta e um grupo político e Deus era seu legislador, seu rei e seu guerreiro de uma forma bem direta. Assim, por exemplo, quando Deus decidia punir os Cananitas por sua idolatria, Ele usava Seu povo para expulsá-los (Det 20:18). Este ato realizado por Israel não pode ser chamado de amor por seus inimigos (Cf. Dt 7:1,2; 25:17-19; Ex 34:12). Devemos entender de tais atos como exemplos especiais na história da redenção, em que Deus usa Seu povo para executar Sua vingança (Dt 32:35;Js 23:10) sobre uma nação iníqua. Tais exemplos não deveriam ser usados hoje para justificarem a defesa própria ou as guerras santas, uma vez que os propósitos de Deus no mundo hoje não são cumpridos através de um grupo étnico político como foi Israel no Antigo Testamento.

A segunda qualificação do amor inimigo é requerida pelos salmos, nos quais o salmista declara o seu ódio por homens que desafiam Deus, “Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso; apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue. Eles se rebelam insidiosamente contra ti e como teus inimigos falam malícia. Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato.” (Sl 139:19-22) O ódio do salmista é baseado no seu desafio contra Deus e é concebido como alinhamento virtuoso com o próprio ódio de Deus por malfeitores (Sl 5:4-6; 11:5; 31:6; Pv 3:32; 6:16; Os 9:15). Mas tão estranho como pode parecer, este ódio não necessariamente resulta na vingança. O salmista deixa isto nas mãos de Deus e até trata esses odiados amavelmente. Isto é visto em Sl 109:4, 5 e 35:1, 12-14.

Pode haver duas maneiras que justifica este ódio. De um lado, poderia às vezes representar uma forte aversão para com a má vontade que procura a destruição de pessoa. Doutro lado, onde há uma vontade para a expressa destruição, ela pode representar a certeza dada por Deus de que a pessoa mal está além do arrependimento sem esperança de salvação e portanto debaixo da justa sentença de Deus expressada pelo Salmista (compare 1 João 5:16).

Além dessas dimensões mais religiosas do amor, o Antigo Testamento é rico com ilustrações e instruções do amor entre pai e filho (Ge 22:2; 37:3; Pv 13:24), mãe e filho (Ge 25:28), esposa e marido (Jz 14:16; Ec 9:9; Ge 24:67; 29:18, 30, 32; Pv 5:19), amantes (1 Sm 18:20; 2 Sm 13:1), escravos e senhores (Ex 21:5; Dt 15:16), o rei e seus sujeitos (1 Sm 18:22), um povo e seu herói (1 Sm 18:28), amigos (1 Sm 18:1; 20:17; Pv 17:17; 27:6), nora e sogra (Rt 4:15). Especialmente digno de ser notado está o livro de Cantares, que manifestar o prazer sadio no cumprimento sexual do amor entre um homem e uma mulher.

O Amor do homem para com as coisas

Há alguns exemplos no Velho Testamento do amor simples, diário de coisas: Isaac amou certa carne (Gê 27:4); Uzias amou o solo (2 Crôn 26:10); muitos amam a vida (Sl 34:12). Mas normalmente quando o amor não é dirigido em direção a pessoas é dirigido a virtudes ou vícios. Em sua maioria, este tipo de amor é simplesmente um fruto inevitável do amor de alguém por Deus ou rebelião contra o Deus.

Do lado positive, há amor pelos mandamentos de Deus (Sl 112:1; 119:35, 47), Sua lei (Sl 119:97), Sua vontade (Sl 119:140) e Sua Salvação (Sl 40:16). Os homens tem que amar o bem e odiar o mal (Am 5:15), amar a verdade e a paz (Zac 8:19) amar a misericórdia (Mq 6:8) e a sabedoria (Pv 4:6). Do lado negativo, nós encontramos pessoas amando o mal (Mq 3:2), a mentira e a falsa profecia (Sl 4:2; 52:3, 4; Zc 8:17; Jr 5:31; 14:10), os ídolos (Os 9:1, 10; Jr 2:25), a opressão (Os 12:7), a maldição (Sl 109:17), a preguisa (Pv 20:13), a loucura (Pv 1:22), a violência (Sl 11:5) e o suborno (Is 1:23). Em resumo, muitas pessoas "amam a sua vergonha mais do que a sua honra” (Os 4:17), que é o mesmo quanto amar a morte (Pv 8:36). A soma da matéria é que a satisfação não deve ser tida na colocação de afetos de alguém sobre qualquer coisa senão a Deus (Cf Ec 5:10; 12:13).

Daqui a algumas semanas postaremos a terceira parte, deste artigo de John Piper, que falará do Amor no Novo Testamento.

Tradução: Elias Lima

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O DESAFIO DA PREGAÇÃO NA PÓS-MODERNIDADE (Parte 3)

A perda de uma fundamentação Bíblica

Lamentavelmente podemos perceber em nossos dias uma crescente tendência no meio evangélico em querer focalizar no púlpito aquilo que é relevante, conseqüência, é claro, de uma não leitura das Sagradas Escrituras. Muitas das pregações que ouvimos hoje dão mais importância a psicologia, que desde a década de oitenta vem entrando na igreja como o novo paradigma de santificação; ao comentário social e a retórica política. A pregação da palavra de Deus fica em segundo plano, porque segundo eles a psicologia, por exemplo, é necessária para ajudar as pessoas com seus problemas e a crescerem espiritualmente. Mas tais pessoas esquecem que o Espírito Santo não precisou da psicologia no passado, e também não precisa hoje no presente. Isso porque o Espírito Santo foi e é capaz de cumprir a obra de Deus antes que Sigmund Freud, que foi um ateísta, ter inventado a psicologia. O único paradigma para a santificação é a palavra de Deus, como a mesma diz: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.”(1 Coríntios 1:21).

Não se pode negar que a perda de uma fundamentação bíblica é não somente o motivo primário do declínio da pregação na igreja contemporânea, como também o principal fator que contribui para a debilidade e mundanismo na igreja, e isto pelo fator que, para a igreja contemporânea, a pregação da palavra não é relevante. Creio que MacArthur foi muito feliz, quando no seu livro redescobrindo o ministério pastoral, citou Jay E. Adams, que fala sobre o assunto como segue:

“O problema de tal abordagem na pregação é que os pregadores de hoje não têm autoridade para pregar suas próprias noções e opiniões; eles devem ‘pregar a palavra’ apostólica registrada nas Escrituras. Sempre que os pregadores se afastam do propósito do trecho bíblico, perdem sua autoridade para pregar. Em suma, o propósito de ler, explicar e aplicar um trecho das Escrituras é obedecer à ordem de ‘pregar a palavra’. De nenhuma outra maneira podemos esperar vivenciar a presença e o poder do Espírito Santo em nossa pregação. Ele não gastou milhares de anos produzindo o Antigo e o Novo Testamento (em certo sentido, a Bíblia é peculiarmente Seu livro) para depois ignorá-lo! Aquilo que Ele ‘inspirou’ os homens a escrever, agora nos motiva a pregar. Ele não prometeu abençoar nossas palavras; tal promessa estende-se apenas à Sua própria palavra (Is. 55:10-11 ‘Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.’) Uma vez que... não há pregação genuína onde o Espírito de Deus não esteja atuando, podemos dizer que o propósito fundamental da pregação baseada na Bíblia é simplesmente que, em qualquer sentido genuíno da palavra, possamos pregá-la!”

Acredito que os lideres, das assim chamadas igrejas contemporâneas, deveriam olhar para a história da igreja, principalmente nos Atos dos Apóstolos, e notar que no período apostólico, a ênfase e fundamentação que eles davam a pregação era a pregação da Palavra. Apesar de ter na igreja primitiva muitos problemas como: perseguições externas, necessidades dos santos no que diz respeito ao alimento aos necessitados e viúvas e etc; eles, sem dúvida nenhuma, sabiam que estas coisas eram relevantes, embora também um problema social e talvez em parte político, mas de certa forma competiria à igreja cristã, e aos seus líderes em particular, cuidar daquela premente necessidade. Só que eles não trocavam a pregação da Palavra por um comentário social ou uma retórica política. E isso por que? Paulo nos responde em sua primeira carta a Timóteo, no verso quinze do capítulo três, quando diz que a casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, é a coluna e baluarte da verdade. Desta feita, gostaria de endossar as palavra do Dr. Martyn Lloyd-Jones, o qual diz em seu livro pregação e pregadores, que a Igreja não é uma organização ou instituição social, não é uma sociedade política, não é uma sociedade cultural, mas é “coluna e baluarte da verdade”.

O doutor Lucas que escreveu Atos dos Apóstolos, inspirado por Deus, nos relata no versículo quatro do capítulo oito, que os discípulos que foram dispersos, por causa da perseguição que se fazia à igreja, iam por toda parte pregando a palavra. É interessante nós atentarmos para o que o apóstolo Paulo, em sua segunda epístola, no quarto capítulo e nos primeiros quatro versículos, disse a seu filho na fé Timóteo.

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”

Quando o apóstolo Paulo ordena que Timóteo pregue a palavra, insta quer fosse oportuna, quer não. Ele usa a palavra khruxon “proclamar, pregar”, a idéia aqui, como bem colocou Fritz Rienecker, em sua chave lingüística do Novo Testamento grego, é de estar à mão, estar pronto. A palavra também era usada em sentido militar: estar a postos, mas aqui significa “estar no trabalho”, ou seja, o ministro cristão deve sempre estar trabalhando na proclamação da palavra, quer seja oportuno (no tempo certo, convenientemente), quer não (fora do tempo). Resumindo, Paulo queria que a palavra fosse pregada todo o tempo, pois não chegará uma época, antes da volta de Cristo, quando nós mudaremos esta comissão, nenhum tempo quando esse método de ministério será posto aparte por qualquer um outro. A pregação da Palavra deve ser feita todo o tempo.

As pessoas hoje estão famintas pela palavra de Deus, mas a questão é que elas não sabem isso. Elas estão procurando saciar esta fome, pois entendem que há um vazio em suas vidas, um lugar para ser preenchido, uma falta de entendimento. Elas, porém, não podem resolver os problemas e dilemas da vida. Elas estão famintas pela palavra de Deus, mas não o sabem e lhes estar sendo oferecido uma porção de substitutos que não ajudam. Deus tem ordenado que sua palavra seja trazida a elas, pois só Sua palavra pode alimentá-las e o método para que ela seja entregue é através da pregação. Mas, como disse o apóstolo são Paulo: “como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm. 10:14).

Nossa incumbência não vem da cultura, ela vem do céu. O Deus do céu é quem nos tem incumbido, através das páginas das Sagradas Escrituras, para pregar a Palavra, para pregar cada palavra e trazer as almas famintas a única comida que alimenta, e esta é a palavra da Verdade de Deus, a qual nunca sai de moda, ela é atual todas as manhãs. Como o nosso Senhor Jesus mesmo disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”(Marcos 13:31).

Li certa vez um artigo muito interessante na Internet. Era acerca de um jovem pastor que tinha acabado de sair do seminário e tinha sido convidado para pastorear uma igreja, numa cidade com várias universidades, nos Estados Unidos. Muitos dos membros dessa igreja eram professores nessas universidades. Ele estava preparando a sua primeira pregação, e ele estava pensando sobre aquela congregação bastante culta, todos aqueles Ph.D.s que estariam lá, e isso o intimidava muito. Então ele chamou seu pai, que era também um pastor muito sábio e piedoso, e lhe disse: “Pai, estou realmente tendo trabalho para preparar minha pregação.” “Qual o problema?” seu pai perguntou. “Bem, se eu falar sobre geologia, eu ficarei olhando para o Ph.D. em geologia. Se eu falar sobre sociologia, ficarei prestando atenção para o Ph.D em sociologia. Se falar sobre filosofia, encararei um Ph.D. em filosofia. O que você acha que eu devo fazer?” Seu pai respondeu: “Filho, porque você não prega apenas a Bíblia? Eles provavelmente sabem muito pouco sobre ela.”

Isto é uma boa ilustração dos nossos dias atuais, pastores querendo pregar sobre assuntos que não tem nenhuma fundamentação bíblica. Eles estão preocupados em impressionar os seus ouvintes com sua própria sabedoria, mas creio que se cada pastor e pregador acreditasse em 1 Coríntios 1:21, que diz: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.” (e a pregação aqui é a pregação da Palavra) - Não estariam perdendo o seu tempo em pregar aquilo que eles não foram chamados a pregar.


Postado por Elias Lima